Turismo

A escuna Victória

Uns chamam de saveiro, outros de escuna, mas para os turistas que os consideram simplesmente como barcos, o importante são as caipirinhas & frutas servidas a bordo durante o tour pela costa buziana quando, ao som de música, vão conhecendo três ilhas e 15 das 23 praias da península, parando nas mais badaladas para um mergulho.

Durante a viagem que dura de três a cinco horas, de acordo com o roteiro escolhido, a reação dos passageiros varia desde a agitação dos grupos jovens que acompanham dançando e cantando todas as letras dos pagodes tocados a bordo até as pessoas do interior do país que lamentam não saberem nadar e os estrangeiros que se protegem do sol e ficam encantados com a paisagem.

Caso embarque na escuna Victória, da Interbúzios, construído na Bahia e com capacidade para 80 passageiros, terá no timão o mestre Nélio Pereira da Costa, 58 anos, há 15 no comando da embarcação, buziano nativo da praia do Canto.

Comandante Nélio

E como todo buziano dessa geração, ele na juventude foi pescador e, como todo pescador, tem também história para contar. Ele se recorda a tarde em que pescava no Mar Novo (alto-mar) no bote do barco "Almirante Réis", quando um forte puxão na linha o jogou no mar, emborcando a embarcação. Jogado na água, foi cercado por um cardume com mais de 10 cações (tubarões) que para sorte sua só avançaram nos dois peixões fisgados nos anzóis do espinhel. Após duas horas de sufoco foi salvo por um companheiro que passou no bote em direção ao barco-mãe.

A primeira parada para mergulho é a praia da Azeda, depois da escuna margear as praias da Armação e Ossos. Dali partem para João Fernandes, onde há nova parada para mergulhos. No roteiro mais curto a "viagem" é em direção à Ilha Feia que dista 20 minutos em linha reta e de feia não tem nada.

Praia das Moças na Ilha Feia

Quando a escuna Victória começa a se aproximar da parte de trás da ilha, onde tem a "recatada" praia das Moças, surge um bote de borracha, a motor, em alta velocidade, sendo literalmente "cavalgado" por um personagem superdivertido, bermudão estampado e camisa regata, que aos gritos de Severino cheeeegou oferece camarão no espeto numa bandeja que rodopia em sua mão com destreza e malabarismo.

Depois de dar voltas ao redor da escuna, ele sobe a bordo e oferece sua promoção com muito bom humor e ótimo resultado de vendas. Na verdade, Severino é "nome de guerra", pois o verdadeiro é Silvan Matieli Scapini, 31 anos, nascido em Cabo Frio, filho de caminhoneiro papa-goiaba e neto de italianos, daí o nome.


Severino dá show com a bandeja

Silvan Matieli Scapini, o Severino


Há 16 anos está com barraquinha na Praia dos Ossos e há seis começou o show do Severino na Ilha Feia, primeiro numa prancha de windsurfe e, agora, com o bote a motor. Seu show e o camarão no espeto são da melhor qualidade.

Acabados o show e os mergulhos, ainda resta no roteiro de três horas (o outro inclui a Ilha Branca e a Ilha Rasa) a parada na praia da Tartaruga para o desembarque dos passageiros que optarem em aproveitar um pouco mais a praia e os quiosques que oferecem frutos do mar regados a caipirinha ou cerveja gelada.

Como bem disse um turista durante o passeio: esta es una vida de king !