Peixes & Pescadores

* Puxe um arrastão * Pescador Tuim *

Os tubarões do Toninho.

Toninho fazia pião com semente de pé-de-bola e hoje desenha os peixes buzianos

O pai Antônio Câmara foi um dos cinco portugueses nascidos em Funchal, na Ilha da Madeira, que emigraram para o Brasil depois de falsificar a idade. Ao Rio de Janeiro chegou para ser feirante, mas se meteu em pesca e deu os costados em Búzios. Ao chegar, recebeu o apelido de "60" porque não contava mais do que seis dezenas.

Toninho Português recebeu o nome do pai ao nascer, em 1947, da união dele com a buziana de Geribá, Dona Iris, que infelizmente morreu quando o filho completou um ano de idade. Penúltimo filho do primeiro casamento, Toninho foi criado pela madrinha numa casa "moderna", já de tijolos e cinco cômodos, onde atualmente é a badalada loja Bee, na praia da Armação.

O pai tinha mais de 1,90m de altura e foi quem adotou entre os pescadores da cidade a balança de bordo, acabando com o "cálculo no olho" do peso do pescado. Segundo o pai dizia, "as balanças é que passaram a receber a culpa pelo peso roubado e não mais os donos dos barcos".
O pescador "60" tinha um barco chamado "Lutador" que afundou em 1951, ao colidir com uma laje próximo da Ilha do Pai e da Mãe, perto de Itaipu, na Baía da Guanabara. A tripulação foi salva e Seu Antônio "60" decidiu "não perder essa luta", pediu um empréstimo ao Banco Borges (português), contratou um escafandrista e tirou o "Lutador" do fundo do mar. Toninho acha que o barco ainda "está vivo".

Da infância, se lembra das carrapetas (pião) que fazia com um bambu cravado na semente da árvore "pé-de-bola" que ainda existe nas imediações do Shopping Number One (centro da cidade). E recorda a garotada com medo do caixão de defunto coberto por uma rede que ficava em pé no canto da sala do pescador japonês Matusan, no acesso aos Ossos: - as crianças olhavam pela janela e saíam correndo - conta.

Toninho só estudou até o terceiro ano primário e, aos 16 anos, meteu-se na pescaria com o pai, mas incentivado pelo tio, trocou a pesca pelo ofício de pedreiro. Depois, a habilidade manual o transformou em artesão autodidata, quando foi para o Rio de Janeiro participar do Mercado das Artes (1967).

Piões & os frutos
Pião & frutos

Com a repressão policial de 68, no Rio, voltou a Búzios, de onde partiu para o mundo, primeiro à francesa Provence, para montar restaurante em estilo buziano com porta de entalhe de sua autoria com as figuras de Netuno e uma sereia. Depois, o Portugal de seu pai, Espanha, Itália, Bélgica e Holanda, até regressar à sua Búzios.

Além de trabalhar na prefeitura como chefe da Divisão de Atividades Artísticas da rede escolar e ser um historiador da cidade, Toninho é artista plástico de obras que reproduzem a fauna marinha buziana.

Por sua própria iniciativa, vem registrando desde 1999, em desenhos a bico-de-pena, os peixes encontrados na costa buziana, com o intuito de formar uma coleção didática para mostrar aos alunos em idade escolar do que viviam seus ancestrais da aldeia de Búzios que tinham na pesca (artesanal, beira-mar e alto-mar) e na agricultura rudimentar, as únicas formas de economia de subsistência.

Os primeiros 30 desenhos já estão emoldurados e integram uma exposição didática na Escola Municipal Lydia Sherman (Baía Formosa). Conheça, agora, alguns dos peixes da costa buziana desenhados e descritos por Toninho Português.

 

Peixes buzianos by Toninho Português


ENCHOVA
- Patomatomus saltatrix : alcançam até 1,20m e 12 kg. Coloração azul-esverdeada no dorso, flancos e cabeça, com ventre branco-prateada. Grande nadador, tem boca grande, dentes fortes.Escamas pequenas. Peixe voraz, ataca sardinhas, manjubas, cavalas e crustáceos. Nada próximo à superfície e formam enormes cardumes. Lutam quando fisgados com linha de fundo ou de corrico. Carne excelente.


XERELETE
- Caranx crysus: Com 60 cm e até 4kg, tem coloração cinza-azulada na parte superior. Parecido com o Xaréu, tem a cabeça mais baixa e possui pinta preta perta das guelras. Comuns em águas tropicais do Atlântico, nadam em abundantes cardumes perto da costa, ilhas ou em mar aberto. É conhecido, também, por xarelete, xaréu-pequeno, cavaco e graçainha.

NAMORADO
- Pseudopercis numida: com até 1m., tem coloração marrom-violácea no dorso, pintalgado com máculas brancas e ventre claro. Corpo robusto e alongado, tem boca larga com lábios espessos. Nadadeiras anal e dorsal contínuas até a cauda, é peixe eminentemente de águas tropicais, vivendo em fundos de areia de águas profundas. De carne é excelente, é costume se vender peixe-batata como namorado.

DOURADO
- Coryphaena hippurus: Com até 1,80 m. e 30 kg. de peso, tem bela coloração com combinações de azul metálico, verde, amarelo e prateado.Corpo alongado e comprido, apresenta o macho com a cabeça alta e reta. De alto-mar, nas águas azuis, alcança velocidade de até 80 km/h quando perseguidos ou em caça de peixe-voador, o alimento preferido. Carne excelente, é conhecido como grassapé.

OLHO DE CÃO
- Priacanthus arenatus: Com até 50 cm, tem coloração avermelhada, apresentando orlas escuras nas nadadeiras dorsal e anal. Ventrais escuras, calda truncada e olhos muito grandes. Vivem em fundos de areia, pedra, coral, dentro de baías, sendo de pesca fácil porque atacam qualquer isca. Tornam-se ativos durante a noite e são conhecidos também por pirarema.


FRADE
- Pomacanthus arcuatus: Alcança até 70 cm. De coloração cinza-escura, tem em cada escama um pequeno ponto preto e a borda amarelada em forma de meia-lua, boca branca e nadadeira peitoral amarelo-brilhante. Encontrado em águas quentes dos recifes de coral, nada em par e em movimentos lentos e majestosos. São conhecidos por nomes regionais como paru, paru-de-pedra, paru-beija-moça.

MARIMBÁ
- Diplodus argenteus: de até 50 cm, tem coloração cinza-prateada no dorso e mancha preta na cauda. Corpo em forma ovalada e comprimida, tem dentes grandes e fortes. Comum em águas rasas de recifes de coral, fundos de pedra, costões rochosos e até em águas salobras, anda em companhia de peixes como cocoroca, soldados-moura, pirenaicas. De carne saborosa, é conhecido também como sargo.

BONITO-PINTADO
- Euthynnus alleteratus: Com até 90cm e peso de 15 kg., tem coloração azulada no dorso, com a metade posterior em linhas irregulares escuras. Flancos prateados e abaixo das nadadeiras, peitorais de cinco a sete máculas negras e redondas. Vive próximo ao litoral e pode ser capturado com corrico de penas ou na pesca submarina. De carne boa, mas oleosa, recebe também o nome de curuatá-pinima.

CANGULO
- Balistes carolinensis: De até 50 cm., tem coloração cinza-olivácia em todo o corpo, podendo variá-la conforme o fundo em que vive. Corpo comprido e boca pequena, possui ásperas escamas formando forte capa protetora que parece couro e nadadeira dorsal com três espinhos. Com fama de venenoso na América do Norte, tem carne saborosa e consumida entre nós. É conhecido como piruá, acará-mocó e fantasma.

PEIXE-ESPADA
- Trichiurus lepturus: Com até 1,70 m., tem acentuada coloração prateado-metálica. Corpo muito longo, pontiagudo, de mandíbula prognata com dentes fortes e cortantes, é peixe de superfície, de grandes cardumes, que se deslocam em grande velocidade já que a nadadeira dorsal é inteiriça da cabeça à cauda. Carnívoro e voraz, sua pesca é com linha de fundo, com iscas de sardinha ou de bonito. Carne boa.

CORCOROCA
- Haemulon plumieri: com até 50 cm. e 1 kg. de peso, tem coloração cinza bronzeada clarta e uniforme em todo o corpo, apresentando na cabeça pequenas pintas e listras azuis e amarelas claras que, estranhamente, desaparecem quando o peixe morre. De águas rasas e quentes, vive em qualquer tipo de fundo e é conhecida também por corcoroca-mulata, negramina e corcoroca-boca-de-velha.

PEIXE-GALO
- Selene vomer: Com 50 cm e 2,50 kg. de peso, tem coloração uniforme branco-prateada com reflexos irisdescentes. Os raios da segunda dorsal e da anal são alongados. Vive em águas abertas, chegando também em torno de ilhas e baías. É disputado pelos pescadores de linha pela luta que oferece quando fisgado. De carne bastante apreciada, é conhecido também por galo-bandeira, galo-de-penacho e testudo.

RAIA-BORBOLETA
- Gymnura altavela: Com até 2,10m de envergadura, tem nadadeiras peitorais desenvolvidas, tendo a largura quase o dobro do comprimento. De coloração pardo-clara e amarelada na parte superior e branca na inferior, tem dois pequenos ferrões serrilhados próximos ao meio da cauda curte e fina. Comum em enseadas, alimenta-se de pequenos peixes, moluscos e crustáceos. Há 30 espécies.

JAMANTA
- Mobula hypostoma: com até 2m e pesando até 30 kg, tem coloração preta e marrom no dorso e branca no ventre. Sua boca fica na parte inferior do corpo e armada com numerosos dentes nos dois maxilares, caçam encurralando os peixes em águas rasas. Salta freqüentemente fora d'água, principalmente a fêmea, quando do nascimento dos filhotes, que são lançados, um por um, durante os saltos.

ANEQUIM (tubarão)
- Carcharodon carcharias: Com 6 a 12 m. e 3.500 kg.., tem coloração bronzeada clara a cinzento no dorso. Olhos grandes, redondos e negros, tem dentes triangulares com bordas serrilhadas de até 7,5 cm. Comem tudo o que encontram - focas, tartarugas, peixes - armazenando no estômago por dias sem digeri-los, podendo depois até vomitar tudo. As mandíbulas têm pressão de 7,50 toneladas por cm2 que podem arrancar mais de 10 kg. de cada vez da vítima. Espécie ovípara, cada filhote nasce com 50 kg. de peso. É conhecido também por cação-anequim e tubarão branco.