Gourmet

Marcos de Azevedo Sodré

O "caminho" Petrópolis-Tailândia passou por restaurante sem alma e uma pizza express

Ele é petropolitano, estudou Engenharia, foi dono de confecção de couro, teve uma pizza-express, inventou um exaustor automático para assento sanitário, montou e fechou um restaurante de massas "sem alma" e, há três anos, assumiu o que gosta de fazer desde jovem: cozinhar.

Essa arte culinária aprendeu com a avó Hilda, especialista em doces e com o pai George, que faz uma "culinária científica" e em todos os natais prepara para a família um pernil gigante para a ceia, manipulando ao mesmo tempo dois termômetros, um para controlar a temperatura do forno e outro para verificar o cozimento da carne.

Marcos de Azevedo Sodré, 38 anos, é o dono do restaurante tailandês Sawasdee (fone 24- 9212-4066), com admirável vista da praia da Armação e, também, o responsável pelo difícil manuseio da pesada WOK, a frigideira chinesa, indispensável à cozinha tailandesa.

Mas o caminho Petrópolis-Wok foi longo, a começar pela carreira de engenheiro trocada ainda na universidade pela confecção de cintos e bolsas de couro para exportação, iniciativa que naufragou na era Collor.

Do couro foi para uma empresa de "pizza express", que deixou para inventar com um amigo engenheiro o revolucionário Toilles, exaustor sanitário que funciona quando a pessoa senta no vaso. Projeto promissor, mas que acabou na gaveta por falta de patrocínio.

Embora petropolitana, a família freqüentava Búzios desde 1968 quando o pai comprou a casa de número 422 da Avenida Bento Ribeiro Dantas onde, de fevereiro a agosto de 1997 montou o restaurante de massas Seven Bells, " um restaurante sem alma", que não pegou e durou um só verão.

Um amigo falou sobre comida tailandesa, ele experimentou, pesquisou na internet e em novembro de 1997 "importou" de São Paulo o chef japonês Edo Komori que inaugurou a cozinha do restaurante Sawasdee, que significa seja bem-vindo em tailandês.

Origem japonesa, sem saber português, sem curtir sol & mar, bem, esses caprichos da alma humana não combinam com o astral buziano e nem com o do japonês Edo que deixou a sociedade "obrigando" o petropolitano Marcos a assumir a frigideira: - desde jovem inventava pratos, alguns muitos bons a partir dos ensinamentos da "culinária científica" de meu pai, um engenheiro de turbinas de avião, colecionador de ferramentas de precisão, emérito guardador de "matérias primas" ou melhor, sucatas.

Marcos e sua WOK mágica

Retirando o excesso de pimenta dos pratos tradicionais, o cozinheiro Marcos, que recentemente fez viagem de estudos à Tailândia, oferece aos clientes diretamente de sua frigideira WOK, camarão/lula/mexilhão com macarrão oriental (PAD THAI) ou um filé de carne refogado ao molho de ostras, aromatizado com aniz estrelado e servido com arroz de jasmim. Há opções, como as sopas TOM YAN KUNG (gengibre com camarão) e TOM KhA Gai (camarão com leite de côco).

Como drink, "caipiLydia" (vodca com calda da uva chinesa Lydia) ou um KOH-PI-PI (rum, goiaba, mandarinetto e gelo moído). De sobremesa, PHUKET (doce , doce de abóbora recheado de manga).

Seja bem-vindo! Ou melhor, Sawasdee.