Gourmet

Empório & restaurante

Paolo, Paolino ou Paulino espera você com histórias, chá e uma saudável comida

Nascido Paolo Sanvito, mas conhecido como Paolino desde criança, este italiano de Monza curtiu a infância e a adolescência nos "oratórios" de sua cidade, locais de educação católica onde se praticava esportes, tocava-se música e se orava. A agitação estudantil européia de 1968 o atingiu aos 14 anos de idade, época em que a juventude lutava por uma liberdade de mudar, arrastando os jovens para a rebelião existencial que passava, também, pelas mudanças políticas.

Foi com essa bagagem cultural que Paolino, aos 24 anos de idade (1978), decidiu abrir em sociedade com amigos seu primeiro bar, o Macondino, nome retirado da localidade de Macondo, perto de Milão e que inspirou, também, o escritor Gabriel Garcia Márquez em seu "Cem anos de solidão" (era a aldeia do Coronel Aureliano Buendía).

O Macondino revolucionou a cidade de Monza, na época, porque recebia também mulheres no bar, costume até então reservado aos homens. O bar era uma festa: no térreo, discoteca para três mil pessoas com música anos 70 (Bob Marley, Bob Dylan) e, no andar superior, o restaurante vegetariano de primeira qualidade.

Dois anos depois Paolino abria o SAMSARA, restaurante também vegetariano instalado numa casa tombada de 1600 anos no caminho entre Monza e Milão, onde não se podia fumar e que, além de comida, "servia" aos freqüentadores entre as mesas do salão, um show de cabaré, tipo clown. O nome SAMSARA foi adotado por significar, em sânscrito e tibetano, a "roda da vida - nascimento, vida, morte, ressurreição". Foi um sucesso!

Desde a juventude Paolino tinha fascínio pela Índia e, apesar de não ser um hippie, vivia entre eles, daí sua vontade de sair viajando pelo mundo. Com dois anos no SAMSARA decidiu viajar pela América do Sul, fascinado que era, também, pelos livros de Carlos Castañeda (A erva do diabo), que pregava a fraternidade entre os povos de várias culturas. O primeiro roteiro passou, como era de se esperar, pelas cidades peruanas de Cuzco e Macchu Picchu, onde fez o caminho dos Incas. Por oito meses viajou entre Peru, Bolívia e Equador, estudando o charango, a música dos índios executada num violão com casco de tatu.

Paolino, Buda e Dalai Lama

Já na América do Sul, não custou para aportar no Brasil e direto no carnaval baiano de Salvador, seu primeiro choque cultural com a terra brasileira. Maravilhado com tudo e todos, ficou três meses morando na ilha de Itaparica e sobrevivendo da venda de tortas integrais de pêra e chocolate nas ruas e praias.

Para quem desconhecia o Brasil, essa vivência fez com que viajasse por São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso e Rio de Janeiro, esta última, em pleno carnaval, outra experiência inesquecível. A partir dessas visitas decidiu fazer periodicamente a ponte Itália-América do Sul. Em 85 conheceu Búzios e se apaixonou.

De volta em 1987, abriu a boate-restaurante L'Ombrellone, em frente ao atual Gran Cine Bardot (Centro), que virou Alice no país das maravilhas (tinha lasanha vegetariana). Em 1990 voltou ao seu SAMSARA da cidade natal de Monza, trabalhou, ganhou dinheiro e viajou pela primeira vez para a Índia, percorrendo o país por três meses, visitando mosteiros (Ashrams) e lugares religiosos.

Depois de correr o mundo e de forjar "sólida estrutura psicológica com as vivências das culturas européia, latina e indiana, decidiu morar em Búzios, porto de partida de sua ainda periódica ponte-aérea Europa-Índia, de onde traz peças de muito bom gosto para seu Empório SAMSARA (livros, produtos naturais, de meditação, de aromaterapia e esotéricos) e especiarias para seu restaurante vegetariano SAMSARA, no andar superior.

Localizado numa das perpendiculares da Rua das Pedras (Rua Santana Maia, 684, fone 623-1080), o empório, salão de chá & restaurante SAMSARA é a cara de Paolo, ou melhor, do Paolino que entre nós virou Paulino. Seu restaurante, de ambiente oriental, é por ele mesmo classificado de lato-vegetariano, uma nova cozinha vegetariana que guarda a filosofia indiana sem ser comida indiana.

O ambiente é oriental

Num ambiente bem oriental onde não faltam imagens de budas e dalais lamas, Paolino serve como entrada beringela "crostini" (tostada) com patê de tofú (queijo de soja e repolho) e rúcula, além de saladas com vegetais logicamente sem agrotóxicos.

Depois, uma Minestra de pasta & Fagioli , sopa típica da italiana Toscana, com feijão e massa integral feita com sete cereais. Há, também, o Timballo, uma torta light de arroz de forno e tofú de espinafre; um gnocchi e um risotto "com molho italianíssimo" como o próprio cozinheiro Guigo, natural da Toscana.

Ao final, 14 tipos de chás indianos legítimos como Yogue Tea Himalaya ou CHAIA como é conhecido na Índia (gengibre, canela, erva-doce), Darjelin preto (tradicional), Bancha (envelhecido e sem teína) e digestivos.

Apareça a qualquer hora para um chá e as histórias do Paolino !