Personagem

 

Renata Dechamps née Renate Christiane é embaixadora carioca em Búzios

Carioca com cara e sotaque estrangeiros, é filha de alemães, teve uma educação tão rígida que lhe proibia usar baton e pintar unhas, o que não a impediu de ser uma mulher livre para curtir a vida e correr o mundo fazendo amigos. Como uma autêntica embaixadora carioca em Búzios, hospedou em sua casa-armazém da Rua das Pedras, artistas famosos como Mick Jagger, Helmut Berger e Cat Stevens, mas ao contrário do que diz a lenda buziana, nunca abrigou Brigitte Bardot no quarto da filha, a artista global Alexia Dechamps.

O pai nascido em Munich e a mãe nascida em Goldenstedt se conheceram em São Paulo para onde vieram após a Primeira Guerra Mundial. Ele era professor de lingüística, falava grego e latim, trabalhou na sede paulista da empresa norte-americana Standard Oil e, depois de casado, veio morar no Rio de Janeiro, onde se tornou exportador de ferramentas.

Renate Christiane Marischen nasceu, no Rio de Janeiro, em 1940 e estudou no tradicional Colégio Notre Dame, de Ipanema até o curso ginasial. Sua educação alemã muito rígida a obrigava a rezar antes de cada refeição. Não podia sair e, como lazer, ouvia música clássica, principalmente Mozart, embora fosse mesmo fascinada pela música de Elizeth Cardoso e a voz de Lúcio Alves, os bambambans da época.

- Ao acabar o ginásio fui mandada para uma escola em Munich, cidade de meu pai, para aprender inglês e alemão, língua que falo fluentemente, melhor mesmo do que o português. Na Europa fiquei três anos e meio entre a Alemanha, a Grécia e a Inglaterra, quando viajei para Nova Iorque - conta Renata.

Na temporada na capital norte-americana conheceu um arquiteto de origem belga, "lindo, mas casado" que, por uma coincidência do destino foi revê-lo anos depois na badalada boite Sacha's, no Leme: - estava com meu namorado quando ele entrou, mais lindo ainda, em companhia de Didu e Tereza de Souza Campos. Mas nada aconteceu, só troca de olhares - lembra.

Mas o destino estava selado: - em 1963, em viagem para Nova Iorque para um desfile do costureiro Guilherme Guimarães, meu acompanhante de vôo jurou que me apresentaria um rapaz recém-separado com o qual me casaria. Era ele, Claude Dechamps, com quem me casei em Connecticut, em setembro do mesmo ano. Fiquei casada 10 anos e tive a minha filha Alexia, que aliás é a cara dele - conta com um sorriso feliz.

Separada do Claude, em 1973, e longe do jet set que a levou a viajar o mundo, Renata retomou sua ligação com Búzios que conhecia desde 1964:- a estrada era péssima, mas vinha de carona de avião tipo teco-teco com amigos. O gado que pastava tranqüilo no campo de pouso na área da antiga fazenda Geribá era espantado com vôos rasantes. Por ar ou por terra era uma aventura que valia a pena: ia à praia com flor no cabelo, andava descalça, não precisava me trajar sofisticada como no exterior, colhia pitangas à beira-mar. Ferradura tinha lagos e brejos cheios de pássaros, na praia do Canto e na do Forno andava em areias douradas e na chique praia dos Ossos se hospedavam figuras da República como Ulysses Guimarães e Renato Archer - conta saudosa.

Nessa época a Rua das Pedras ainda não tinha pedras, era de terra batida, a maioria das casa era ainda dos pescadores nativos e a rua era mais uma passagem em direção à praia. Romântica, Renata se lembra de noites enluaradas com os cavalos passando a galope levantando poeira: - quem colocou pedra na Rua das Pedras foi o empresário César Thedim com orientação do arquiteto Otávio Raja Gabaglia -conta.

Ela sempre quis comprar casa na cidade, não gostou das que estavam à venda, mas um dia de 1968, ao chegar no armazém do Seu Antônio Alípio da Silva, ali no início da Rua das Pedras (hoje avenida José Bento Ribeiro Dantas número 13) para comprar vela e fósforo comentou que estava a procura de casa para comprar.

- Ele me levou a visitar o armazém, os quartos que ficavam atrás, o jardim que dava para a praia e até uma pequena casinha de apenas um cômodo quase na areia. Depois perguntou se tinha gostado. Como respondi que tinha adorado, me disse que estava à venda por 24 mil dólares. Fechei negócio na hora, para o desespero dos amigos Antônio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha, e o Carlos Henrique Amaral Peixoto que vinham pechinchando com Alípio para vender por menos. Eles nunca me perdoaram por isso - afirma Renata.

O armazém que virou casa se tornou uma espécie de embaixada carioca em Búzios, onde a Embaixadora Renata passou a receber visitas importantes ao mesmo tempo em que curtia os moradores da cidade que a procuravam pela simpatia e papo agradável. Ali Mick Jagger chegou de limusine e cantou suas músicas, o mesmo acontecendo com Cat Stevens.

- Nunca soube porque a mídia sempre me chamou de Deschamps ao invés de Dechamps e cismou que a Brigitte Bardot ficou hospedada no quarto de minha filha Alexia cuja janela dá fotos postais, com a esquadria servindo de moldura para os barquinhos no mar. Nunca vi a BB na minha vida - corrige a história esta buziana de coração, neé Renate Christine mas, conhecida por Renata Dechamps, a embaixadora carioca em Búzios.