Bons Ventos

Passagem pela bóia

Búzios Sailing Week reúne pequenos barcos Optimist e Laser e imponentes veleiros

Uma regata na raia do Centro Olímpico de Vela de Búzios é uma verdadeira festa, tanto para os estreantes velejadores dos pequenos barcos Optimist com idades entre oito e 14 anos, como para os charmosos atletas do barco Laser como o campeão olímpico Torben Grael e as impecáveis tripulações dos sofisticados e imponentes veleiros classe Oceano, como DUX (60 pés-18 metros), Neptunus XI, Alucinante VI, Ta'Aroa, Vó Zizinha, Saga, Sargaço, Vizcaya, Albatroz,. Solution.

Navegue agora ao vento buziano...

O vencedor Neptunus XI

 

Torben Grael ao mar
Laser ao mar

Iate Clube de Armação dos Búzios (ICAB) foi fundado no dia da Padroeira da cidade

Comodoro Allain Joullié

Ao sopé do morro da Igreja de Nossa Senhora de Sant'Anna e justamente a 26 de julho, dia da padroeira da cidade, era fundado há 28 anos o Iate Clube de Armação dos Búzios (ICAB), iniciativa de apaixonados pelo esporte à vela como os inesquecíveis José Carlos Laporte, Lauritz Lachman, Jorge Pontual e Erling Lorentzen, amigos e velejadores que descobriram ainda nos anos 60 as delícias do mar & vento da aldeia buziana.

Localizado na aprazível e recatada Praia dos Ossos, o ICAB, hoje com 70 associados, é um clube simples que abriga com simpatia a sofisticação dos apaixonados da vela, esporte que muitos começaram a praticar quando jovens, em barcos pequenos como os da classe Optimist até chegarem - alguns - aos da classe Oceano, onde o luxo e a tecnologia de navegação parecem não ter limites.

Um desses apaixonados, Alain Pierre Joullié, é há 10 anos o comodoro do ICAB. Paulista filho de franceses, mas criado no Rio de Janeiro, começou a velejar na Baía da Guanabara aos sete anos de idade em um barco da classe snipe para depois acompanhar o pai, um dos precursores da indústria farmacêutica no Brasil, no famoso Mistral, um veleiro da classe Brasil no qual, aos 18 anos de idade (1953), ficou em segundo lugar na tradicional regata Buenos Aires-Rio.

Freqüentador com a família de Cabo Frio, descobriu depois a cidade de Búzios e o ICAB que passou a curtir com a mulher e os dois filhos: - aqui o vento é constante e como a raia é bem perto do clube, sempre dá tempo para que o último velejador ao voltar da regata ainda escute as mentiras dos companheiros e conte as suas próprias historinhas - diz o bem humorado comodoro Allain.

Flotilha de Optimist do ICAB vai representar Búzios nas regatas estaduais

A cidade de Búzios já tem sua Flotilha de Optimist integrada por nove jovens vejeladores com idades entre de 8 a 14 anos e que vieram da escolinha de vela do ICAB dos instrutores Carlos Povoli e Ricardo Fernandes.

A história desses dois incentivadores do esporte a vela na cidade começa na paixão que sempre tiveram pelo mar e, conseqüentemente, por barcos.

Instrutores Ricardo & Carlos
os alunos da flotilha buziana

A de Carlos Povoli começa em Buenos Aires onde nasceu há 47 anos, filho de pai bioquímico e mãe enfermeira. Aos oito anos já velejava no Rio de la Plata e aos 17 saiu da capital portenha para velejar nos lagos dos arredores de Bariloche onde passou a trabalhar em restaurantes.

Dali partiu para Ushuaia, no extremo sul do seu país, onde importava material de construção dos Estados Unidos. E foi ali, também, que se casou com a conterrânea Maggie, hoje uma artista plástica.

Depois de curtir Barcelona e Marbela (Espanha), chegou a Angra dos Reis, há 12 anos atrás para cuidar de uma lancha de 60 pés chamada Delene IV. Mas além do barco passou a cuidar, também, do filho Martin (hoje com oito anos) que ali nasceu.

Morou no Rio de Janeiro onde trabalhou com turismo e, há seis anos, decidiu se radicar em Búzios, onde abriu uma casa de câmbio (Malizia). Há dois anos comprou seu veleiro de 29 pés chamado Shiva (um Deus indiano) e já como associado do ICAB, ajudou na criação de sua escolinha de vela.

A história de Ricardo Fernandes começa no Rio de Janeiro, onde nasceu em 1962. Filho de empresário, cursou os melhores colégios cariocas e, aos 9 anos de idade, começou a velejar sob a orientação do professor Guguta, do Iate Clube do Rio de Janeiro (ICRJ). Seu primeiro Optimist chamava-se Smoke, mas aos 12 anos já velejava um Hobbie Cat 14 chamado Madness.

Antes de se dedicar totalmente ao esporte náutico, foi fabricante de vela, vendedor de laboratório, gerente de locadora de automóveis, fabricante de toldos, locador de bugres e chef de cozinha do restaurante Jardineto (Vargem Grande, no Rio) de propriedade de sua mãe e onde preparava " um delicioso pernil de javali banhado em vinho branco".

Atualmente é apaixonado pela escola de vela do ICAB e pela Flotilha de Optimist de Búzios que representará a cidade em todas as regatas estaduais.

Bons ventos os levem...