Gourmet

Armando Ehrenfreund

Armando viajou o mundo dos 21 aos 31 anos e escolheu a cidade de Búzios para morar

O complicado sobrenome Ehrenfreund tem origem austríaca, como os avós, mas Armando nasceu há 44 anos, em São Paulo, onde interrompeu a faculdade de administração de empresas para, aos 21 anos de idade, se aventurar pelo mundo, começando por Paris e em seguida o kibutz israelense de Palmachim, onde viveu seis meses. Cumprida sua "obrigação cívica" para com a terra dos antepassados, botou novamente o pé na estrada, passou pelo Quênia e chegou à Ìndia para ficar outros seis meses.

Naquela época, 1978/79, não havia hotéis, dormia-se na natureza ou nos templos e tudo era barato, inclusive comida. Como ainda tinha dinheiro, visitou o Nepal, Paquistão, Afeganistão, Irã (antes do Khomeini) e voltou para a Europa para trabalhar até como lenhador em fazenda.

De 1980 a 82 viajou pelo interior indiano, fazendo artesanato e tentando conhecer os 12 locais místicos de maior energia do mundo localizados na Índia :- visitei quatro, uma grande façanha, já que poucos conseguem chegar a seis, e raríssimos a 10, isso por razões de destino que desvia você dos caminhos - explica.

Foi então que passou a comercializar objetos de prata e corais recolhidos na região de Ladak, ao norte de Cashemira. E como estava fora do Brasil há muito tempo, visitou a família em São Paulo, foi para Arraial da Ajuda (Bahia) e voltou ao mundo, por Bali (ainda não estava na moda), Tailândia, Singapura, Malásia e chegou mais uma vez à Índia, para comercializar pedras semi-preciosas que vendia em Paris, Oslo e Nova Iorque.

Foi na Índia que conheceu o amigo francês e hoje sócio Bernard Sitbon, cuja irmã tinha uma confecção de roupas em Paris e queria abrir loja no Brasil. Foi o que tentaram fazer em São Paulo, mas o Plano Cruzado II atrapalhou. Como conhecia Búzios desde 1977 e estava "cansado" do mundo, decidiu morar a partir de 1987, abrindo loja de artesanato de Bali numa ruazinha onde não passava ninguém. Três dias depois fechou por falta de freguesia. Sempre com o sócio Bernard, abriu o primeiro restaurante de massa de nome Spagus, hoje Parvati.

- Antes tivemos o Number One e o La Poste Restante, na Rua das Pedras, onde trabalhou um modesto cozinheiro francês: - ele chegou, se habilitou ao emprego e para demostrar suas habilidades culinárias fez um filé de cherne com creme de berinjela ines-que-cí-vel e um galeto torradinho ina-cre-di-tá-vel. Ganhou o emprego na hora e nos disse que quando chegou ao Rio trabalhou na boate Help, da avenida Atlântica fazendo sanduíches. O nome dele? Cristophe Lidy, hoje o festejado chef do carioca Garcia & Rodrigues.

Com alguns dos seus "discípulos" do tempo do La Poste Restante na cozinha, Bernard e Armando manteve na Rua das Pedras o La Station, cuja projeto revolucionou a arquitetura colonial da cidade, por ter cobertura retrátil que nas noites de tempo bom ficava recolhida, com o restaurante a céu aberto, e nos dias de chuva, ficava coberto.

Agora na pizzaria & tratoria PARVATI, aberta no lugar do La Station, come-se da massa ao peixe, do frango a carne, num ambiente simples e de muito bom gosto, decorado com fotos do argentino-buziano Marcelo Lartigue sobre foclóricos personagens de Búzios.

Vá, curta o ambiente, as fotos, o chope gelado e a comida. Bom programa!

PARVATI by night
PARVATI interior