História

DESCOBRIMENTO

Pedro Álvarez Cabral e os "Tupinambás" nunca souberam que há 520 milhões de anos Búzios era uma cadeia de montanhas da altura do Himalaia.

Se Pedro Alvarez Cabral tivesse aportado na "baía formosa" da costa buziana, teria encontrado índios Tupinambás, um subgrupo da nação dos Tamoios, que viviam da caça e pesca e do cultivo do milho e mandioca.

Seus ancestrais, povos nômades, nos visitaram há cerca de 2 mil 500 anos, cálculo feito pelo estudo de alguns sambaquis (restos de cozinha e esqueletos) encontrados na região.

Nessa terra era encontrado em abundância a espécie Caesalpinia echinatta, o ibirapitanga na língua Tupi, o popular pau-brasil, o alvo preferido das incursões européias, tanto dos portugueses que buscavam a valiosa madeira-de-lei desperdiçada como lenha pelos índios, quanto dos franceses, que vieram também por razões de estratégia geográfica.

A briga colonizadora entre franceses e portugueses dizimou os aguerrridos Tupinambás que de herança deixaram nomes como jerivá ou jeribá (palmeira baba-de-boi que dá um coquinho doce ) e que, muitos anos depois, passou a nominar uma praia e seu bairro, mas com a escrita alterada pelo povo buziano para Geribá. E, ainda, tucum ou tucuns (palmeira de cujas folhas se extraem fibras e, de cujas sementes das nozes saem um rico óleo).

 

COLONIZAÇÃO

Foto by Sergio Fleury

Os jesuítas construiram a Fazenda Santo Inácio de Campos Novos

A terra dos índios se tornou aldeia e recebeu o nome de Armação dos Búzios, cuja origem é controversa: uma garante que vem da exploração da pesca da baleia que denominou antes a aldeia como Armação das Baleias; outra cita a palavra Armação como "local em que se aparelhavam navios para a pesca da baleia" (Aurélio); e ainda uma outra que afirma que o nome se originou dos "moluscos gastrópodes cujas carapaças vazias eram chamadas de "atapu" pelos índios, e batizadas de búzios pelos portugueses" (Márcio Werneck, 1997).

A verdade é que do contrabando de pau-brasil os portugueses passaram para o tráfico de escravos africanos que eram desembarcados clandestinamente em diversos ancoradouros da aldeia e daí levados para o Rio de Janeiro.

Dezenas desses escravos ficaram em roçados de banana, milho e feijão das fazendas da região, como a pioneira Fazenda Santo Inácio de Campos Novos (na região da Rasa), originalmente construída pelos jesuítas que ali viviam em 1630 a catequizar índios e confiscada, em 1757, pelos portugueses e vendida a fazendeiros ricos e escravagistas que enfrentaram mais tarde a resistência de quilombos.

No início do século, a Campos Novos foi comprada pelo empreendedor alemão Eugène Honold que tentou transformá-la em fonte de exportação de banana. Querido por uns, odiado por outros, "o alemão" desistiu, entregou a terra para feitores que passaram a ter graves problemas com empregados e arrendatários (atualmente está decadente, deteriorada, saqueada e abandonada pelo o governo de Cabo Frio que se tornou proprietário, em 1993, num processo de desapropriação).

 

ALDEIA

Foto by Sergio Fleury

As casas eram toscas, a comida pouca, a água escassa e a vida muito dura.

Nas fazendas a vida só era boa para fazendeiros e sinhazinhas e, na Aldeia dos Búzios, onde morava gente muito simples, a vida era muito dura para todos. Além do peixe, alimento natural de quem mora à beira-mar, a população consumia a mandioca de onde tiravam a farinha, a banana em abundância na área, o milho e o feijão, isso quando se dispunha a plantar. Água potável só em raros poços, já que ficavam imundos durante as chuvas que dobravam de tamanho os brejos.

As casas eram toscas, de pau-a-pique, cobertas de sapé ou telhas tipo colonial, moldadas originalmente nas coxas dos escravos. Em algumas casas as paredes tinham estuque misturado com óleo de baleia para lhes dar maior consistência. Iluminação só a lamparinas com óleo de baleia, óleo de mamona, óleo da semente da frutinha conhecida por "baga" e, depois, com o "revolucionário" querosene Jacaré.

A geração de buzianos que hoje está com 80/90 anos de idade confirma, com resignação, a dureza de se viver nas primeiras décadas do século, quando a pesca era a única profissão de sobrevivência, um trabalho de arriscadas aventuras no Mar Alto entremeadas com as inevitáveis mentiras de pescador.

 

CIDADE

Foto: Gustavo Medeiros

O sol brilha 254 dias por ano nas 23 praias de alto astral contagiante.

Seu Honold, da Fazenda Santo Inácio de Campos Novos, deixou para os herdeiros extensas propriedades compradas por tostões dos pobres moradores da aldeia, terras que reunidas na empresa "Odeon", deram origem aos primeiros empreendimentos imobiliários de cidade. Aliás, seus descendentes foram os primeiros a freqüentá-la como lazer.

Armação dos Búzios, segundo o historiador buziano Márcio Werneck Cunha, "tem 85 quilômetros quadrados e está localizada a 180 km do Rio de Janeiro, entre as coordenadas geográficas 22 graus 45 minutos e 22 graus 49 minutos de latitude e entre 41 graus 51 minutos e 41 graus 57 minutos de longitude. O micro-clima é semi-árido quente, a temperatura média anual fica em 25° C e o sistema de ventos favorece a ocorrência de 254 dias por ano de céu azul e noites estreladas".

Essa terra dos búzios visitada por nômades, habitada por índios expulsos por colonizadores que fundaram a aldeia e se tornaram pescadores é, hoje, uma cidade que encanta os visitantes pelo seu alto astral, suas 23 praias e, principalmente, pela qualidade de vida que, aos poucos, contagia os 15 mil habitantes que passaram a conviver com os estrangeiros que a escolheram para morar e os turistas que curtem sua magia, como fez a atriz Brigitte Bardot que a visitou por duas vezes nos anos 60.

Seja bem-vindo!

PRÉ-HISTÓRIA DE BÚZIOS

Há 520 milhões de anos, a região de Armação dos Búzios fazia parte de uma gigantesca cadeia de montanhas, semelhante a do Himalaia.

Este "Himalaia brasileiro" foi gerado durante a colisão entre blocos continentais da América do Sul e da África. A união entre o Brasil e a África gerou um continente ainda maior denominado GONDWANA.

Somente há 130 milhões de anos o continente GONDWANA começou a se fragmentar, dando origem ao Oceano Atlântico e separando novamente Brasil e África.

Em Búzios, essa extraordinária história geológica pode ser observada em dois pontos da cidade: na Ponta da Lagoinha as rochas indicam a paisagem semelhante às montanhas do Himalaia e, na Ponta do Marisco (canto direito da praia de Geribá), há indícios geológicos da abertura do Oceano Atlântico e do fim do "Himalaia brasileiro".

Melhor assim: não se precisa escalar nenhum Himalaia para chegar a Búzios e tem-se à disposição as delícias do Oceano Atlântico banhando as 23 praias buzianas.

Mas se antes de curtir a cidade quiser saber mais sobre essa maravilhosa e incrível mutação geológica, dê agora um passeio virtual pelos CAMINHOS DE BÚZIOS - O HIMALAIA BRASILEIRO descobertos pela geóloga Renata Schmitt (sua tese de doutorado na UFRJ) e que integram o Projeto Caminhos Geológicos, do Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro (DRM-RJ).

E conserve a Natureza de Búzios que tem 520 milhões de anos...