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Hermílio já pescou um tubarão que tinha um filhote de cabrito vivo na barriga

Hermílio, Bôda, Bodá ou Boêmio

Nascido no dia de Iemanjá, na praia Brava, o pescador Bôda, Bodá, Boêmio, ou melhor, Hermílio de Moura Lima, 68 anos, tem muitas histórias para contar sem ser de pescarias, mentiras que não se cansa de espalhar e repetir na roda de amigos.

Filho do também pescador Estevão e de Dona Ana, decidiu sair de Búzios ainda jovem em busca de uma profissão porque "não havia emprego pra ninguém".

Foi parar no Rio de Janeiro onde trabalhou como engraxate, biscateiro e motorista de caminhão de trigo. Um dia resolveu fazer um curso na Capitania dos Portos para ser mestre arrais. Com a Carta de Arrais na mão, arranjou na Cia. Álcalis, em Arraial do Cabo, emprego no rebocador de uma chata que arrastava conchas na Praia Grande. Essa experiência possibilitou emprego melhor, na Petrobras, no rebocador "Imbuí", que transportava o pessoal das plataformas da Bacia de Campos.

- Além de trabalhar nesse transporte, o rebocador era muito requisitado para o resgate de embarcações encalhadas, como ocorreu nas praias de Niterói, Ipanema e Copacabana. Trabalhei, também, nas barcaças que transportavam veículos entre o Rio e Niterói, mas tive que voltar para Búzios para ajudar meu pai Juvenal na pesca. E foi assim que virei pescador - conta Hermílio.

Com o dinheiro economizado nos anos de trabalho como Mestre Arrais, comprou a casa de número 276 da Rua das Pedras do Seu Joaquim Maia, dono do restaurante Maia: - a casa me custou um tostão, nem sei mais quanto foi, e paguei as prestações com o peixe que pescava. Nessa época pagava também com peixe o arroz e o feijão no armazém do Lalaia. E o cação pescado era "escalado" (salgado) e vendido para um espanhol que o revendia como bacalhau - entrega na maior inocência.

Hermílio virou pescador e basta dar um pouco de linha na conversa para ele soltar histórias que jura serem verdadeiras: - pesquei junto a Ilha Branca um tubarão tintureira de 200 quilos que deu muito trabalho para colocá-lo no barco. Quando abrimos sua barriga na beira da praia pulou lá de dentro um cabritinho vivo que devia morar na ilha e deve ter caído no mar. Não é mentira não, pode perguntar ao João Balela e ao Cantídio que viram tudo - conta sob gargalhadas dos companheiros.

Suas histórias não são restritas ao mar: - quando por aqui só tinha água de poço, minha mãe foi ao Poço do Tatu (hoje é o posto Esso), tomou um gole de água do balde e ficou engasgada com uma perereca que logo depois conseguiu cuspir - conta contendo o riso. E logo emenda, com outra risada ao final: - você sabia que nos morros de Búzios tinha lobisomem?

As histórias de lobisomem ele ouviu, no tempo da guerra, dos soldados que acamparam nos morros da praia da Azeda:- tinha tanta cobra por lá que minha mãe até inventou de fazer sopa de jararaca. Era até muito gostosa - garante.

Casado com Leocídia, pai de sete filhos, aposentado da pesca, Hermílio vive de aluguel das suas lojas numa pequena, mas valorizada galeria da Rua das Pedras (uma delas é o atelier do Chico Tatoo), onde inclusive mora nos fundos.

E a Brigitte? - Na época daquela "príncipa loura", mulher nua em Búzios era escandaloso, mas agora ninguém liga mais. Aqui mesmo na rua tem discoteca cheia de mulher pelada - comenta Hermílio com sorriso maroto.

Se você quer mais histórias de pescador, procure pelo Hermílio com seu indefectível boné, diariamente ali na Rua das Pedras. Você vai dar boas gargalhadas!

 

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