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História da Fazendinha Blancpain tem Rolls-Royce, Fórmula 1 e Chapeuzinho Vermelho


Paul, suiço de Freiburg, da tradicional família dos relógios Blancpain e da cerveja Cardinal, colecionou carros antigos de corrida e chegou em sexto lugar como piloto de Fórmula 1 nos 500 km de Interlagos (1972). Philippa, inglesa de Bristol, filha única do presidente da Rolls-Royce na América Latina, estudou quando criança no colégio Chapeuzinho Vermelho, de Ipanema (Rio) e em colégios internos da Inglaterra. Nos anos 80, em Búzios, se cruzavam num açougue, ela comprando osso para seus cães, ele filé mignon para os fregueses do seu restaurante AU Cheval Blanc, na Rua das Pedras.

Um dia, Paul & Pippa se casaram, tiveram três filhos homens, já são avós da pequena Letícia, uma história igual a de muitos casais não fossem tão empreendedores, hospitaleiros e hoje donos da charmosa pousada Fazendinha Blancpain, un petit hôtel de revê localizado a apenas 6 km do centro de Búzios, uma fazendinha de 80 mil m2 com apenas seis chalés super-confortáveis e um restaurant de "culinária francesa com a qualidade suíça", que utiliza produtos da fazenda, como leite, manteiga, queijo e verduras.

Paul Blancpain nasceu em 1943, estudou literatura e desenho publicitário, mas dedicou-se mesmo aos carros de corrida, amigo que era do piloto francês Joseph Siffert, de quem foi manager da equipe até 1971, quando ele sofreu um acidente fatal numa corrida na Inglaterra. Paul ainda tentou, como piloto de Fórmula 1, dar continuidade aos projetos da equipe, mas desistiu após correr as 500 Milhas de Interlagos (São Paulo).

Além da capital paulista, onde desfilou em carro precedido por batedores e comeu em churrascaria de rodízio, conheceu o Rio de Janeiro, Salvador e se perguntou: - o que estou fazendo na Suíça, país frio e chato? Depois de vender sua coleção de 30 carros antigos de corrida, mudou-se em 1974 para o Rio de Janeiro, montou empresas de higienização de telefones (sucesso na Europa) e de astrologia computadorizada, mas não se adaptou ao jeitinho brasileiro dos negócios.
Separado da mulher suíça com quem teve uma filha, voltou a visitar Búzios onde estivera em 1973 e se encantara com o jeito-buziano-do-bem-viver. Tanto fez que em 1980 comprou o restaurante Baluarte, na Rua das Pedras, que no dia 1º de fevereiro reabriu reformado com o nome de AU Cheval Blanc.

E foi nessa mesma época que Paul cruzou pela primeira vez com uma "charmosa inglesa de 1,80m de altura, nariz empinado" que freqüentava, como ele, o único açougue da cidade em busca de alimento, ela para os cachorros, ele, para os fregueses.

Cisco, um dos cavalos

Ela era Philippa Jenkis, ou melhor Pippa, inglesa já radicada no Rio de Janeiro e trabalhando na Cia. Souza Cruz, depois de ser aluna aos quatro anos de idade do colégio ipanemense Chapeuzinho Vermelho e de passar a juventude internada nos melhores colégios ingleses, não só por ser filha única meio rebelde, como para receber educação inglesa digna de uma família de Bristol. Um dia ela chegou tarde da noite com o namorado inglês e um casal de amigos na porta do novo restaurante buziano AU Cheval Blanc, mas deu com a cara na porta.

Conta Paul: - Tinha acabado de encerrar um jantar privê para 110 franceses que comemoravam um aniversário, quando o garçon Louzário, que está comigo até hoje, me avisou que dois casais insistiam em entrar. Reconheci aquela mulher do açougue, a do nariz empinado, e mandei reabrir o bar. Bem, ficamos bebendo e conversando até a madrugada, ela acabou com o namorado inglês e na mesma semana começamos a namorar.

Pippa deixou a Cia. Souza Cruz, aceitou o convite de Paul para administrar o caixa do restaurante, teve com ele três filhos e durante bons anos reuniu amigos e fregueses em torno da boa mesa, das boas conversas e da boa música do AU Cheval Blanc, onde ela cantava ao violão canções folks do gênero Joan Baez.

Um dia de 1993, ano em que Paul completou 50 anos, o casal decidiu passar adiante o restaurante para o sócio Lelson e viajou para a Europa. Na volta, quase um ano depois, Pippa & Paul optaram por construir pequena pousada ao lado da casa onde já moravam num terreno de 80 mil m2 a 6 km do Pórtico da cidade, na estradinha ainda de terra batida em direção a Cabo Frio. Com sede e restaurante, a small, charming and sophisticated country Inn ganhou seis chalés super-equipados e confortáveis.

A Fazendinha Blancpain (fone 24- 2623-6490 ou 2623-6420 e e-mail: fazendinha@mar.com.br ), única pousada de Búzios a integrar os Roteiros de Charme, virou point dos apreciadores da boa mesa e dos que procuram silêncio, descanso, vida saudável, conforto, hospitalidade e o atendimento personalizado de Pippa & Paul, sempre à disposição dos hóspedes, geralmente estrangeiros. E tudo isso a 10 minutos do agito e curtição da cidade, das belas praias buzianas e de um campo de golfe com 18 buracos.

A Fazendinha dispõe de lareira, adega, churrasqueira, loja de conveniência, boutique, uma capela não consagrada onde se pode ouvir música clássica e ópera, o restaurante aberto a partir das 13h30m (reservas até às 20h30m), além de piscina, campo de futebol, horta, quatro cavalos e três pôneis, três vacas leiteiras e um touro, e criação de animais domésticos como galinhas, patos, porcos e cabras.

Isso sem contar com os três Rotweillers, um Mastif inglês, dois Dachshounds, dois Labradores e mais alguns vira-latas de Pippa que continua com a mesma paixão por cães como no tempo em que freqüentava o mesmo açougue buziano onde Paul comprava os filés para os fregueses do seu restaurante.

Enfim: isso é a Fazendinha Blancpain.