Gourmet

Don Juan, Pátio Havana e Chez Michou: boa comida, música ao vivo e muito bom gostoTiff

A belga Michelle Faure tem um casal de filhos nascidos em Bruxelas: ela, Françoise, "mais de 40 anos", ensinou Geografia nos colégios belgas por 10 anos; ele, Philippe, 45 anos, professor de Educação Física sem diploma, percorreu todos os Clubs Meditterranée do mundo ensinando a velejar e windsurfar, até conhecer Búzios onde, em 1983, decidiu morar e se estabelecer.

Philippe Nys, ou melhor Tiff, gostou tanto que chamou a mãe para ajudar, primeiro nos sanduíches, molhos e na "sobremesa" que inicialmente era feita numa frigideira e, depois, na revolucionária máquina de crepe comprada de um francês que chegou de barco. Aos poucos a freguesia passou a preferir a "sobremesa" aos sanduíches e o barzinho ao lado do restaurante Cheval Blanc, com uma janela dando para a nem tanto badalada Rua das Pedras, virou crêperie. E ganhou o nome Chez Michou, o apelido da mãe, Madame Michelle.

Françoise e Tiff

Chez Michou virou sinônimo de crepe, passou a representar a cara da cidade e da juventude buziana, cresceu e mudou-se duas vezes na mesma Rua das Pedras. Nessa época, a casa tinha o reforço do trabalho da licenciada professora de Geografia, a irmã Françoise Nys, que ficava direta no caixa por não falar nada de português (até hoje seu charmoso sotaque é arrastado); do seu então marido Michel (pediu também licença no banco onde trabalhava) e do francês Denis responsável pelos crepes.

A crepérie Chez Michou

Um dia Denis saiu e, diante da emergência (era carnaval de 1984), entrou em seu lugar na máquina de crepes o argentino Mário Fernandes que namorava a recém-separada Françoise (o casal tem a filha Sophie, de 13 anos). O negócio prosperou (chegaram a ter 14 franqueadas), Mário chamou o irmão Rubens (Bubu) para ajudar, Michel continuou na sociedade e amigo da família, Madame Michou vem constantemente a Búzios e Tiff se casou com a brasileira Lúcia com quem tem Letícia (9) e Gabriela (4).

Capa do cardápio
Crepes feitos na hora...


Em 1994 abriram também na Rua das Pedras, o restaurante Estância Don Juan para agradar os argentinos que comiam tira-gostos do mar nas praias, mas à noite queriam carne de boa qualidade (ainda importam da argentina). E quatro anos depois, "para agradar os quarentões", inauguravam o Pátio Havana, misto de restaurante, casa de shows musicais, charutaria, uisqueria, sinuca e adega, aliás das mais abastecidas do Rio de Janeiro.

Patio Havana

Don Juan e Pátio Havana são projetos do arquiteto Helinho Pelegrino, sendo que o Pátio, de inspiração cubana como o próprio nome diz, recebeu também toques de decoração do Sig Bergamin que o tornou um dos ambientes mais charmosos da cidade.

Que tal em sua estada em Búzios experimentar ao lado dos jovens sarados o crepe do Chez Michou, se fornir do churrasco do Don Juan e, noite adentro, curtir no Pátio Havana um charuto (para quem é de charuto), um vinho (para quem é de vinho), sinuca (para quem é de sinuca) ou um delicioso prato (para quem gosta do que é bom), tudo isso ao som do sax de Leo Gandelman (44) que freqüenta a cidade desde menino?

Mas tome cuidado: no dia seguinte modere seu alto astral junto aos colegas de trabalho. O que você fez pode despertar uma inveja danada.

Acredite.