DICA

Chico e os mariscos


A família de Francisco Rodrigues da Costa, ou melhor do Chico, 38 anos, é toda nascida e criada na área da grande Fazenda de José Gonçalves, onde os avós - José & Pertolina - e os pais - o falecido Pancrácio & Isolina - se dedicaram à lavoura.

Chico teve nove irmãos, filhos de Isolina, e mais outros 12 por parte do pai Pancrácio que constituiu também famílias com outras duas mulheres, uma delas recentemente falecida.

O pai era dono de uma ponta de terra que avança sobre o mar onde tinha lavoura de banana, mandioca e melancia e que, segundo o filho Chico, "vendeu por um milhão de cruzeiros, passou logo a papelada para o novo dono que pagou apenas a metade do combinado".

Sem a terra e a "bolada de dinheiro", a família continuou na lavoura, inclusive Chico que, ao 17 anos, foi morar no Rio de Janeiro, onde se tornou eletricista do Clube de Sub-Oficiais e Sargentos da Aeronáutica.

Como eletricista só ficou seis anos, voltando logo para a sua praia cujo acesso, na época, era feito somente por uma trilha através do mato. Ali armou a primeira barraca e passou a servir peixes & mariscos que apanhava cedinho junto às pedras. De caniço, na direção das ilhas Pargo, Comprida e dos Cabritos, se pega muitos pampos, papa-terra e perna-de-moça, a popular corvina.

Só freqüenta a praia de José Gonçalves quem recebe a dica de alguém, já que fica escondida a 4 km do asfalto da antiga rodovia que liga Búzios a Cabo Frio. O acesso é por chão batido no meio de uma paisagem de cactos típicos de restinga.

Com menos de 100 metros de areia, é cercada de pedras, tem pequenas grutas na rocha e o mar é de piso sem buracos e com poucas ondas. Nas fortes ressacas a areia da praia some toda e revela um chão repleto de pedras.

Se quiser curtir o barulho do mar, vá à praia de José Gonçalves em dia de semana, peça uma capirinha ao Chico e "converse com as pedras" a beira-mar.

Ninguém vai interromper o seu "diálogo": acredite!



Ranieri & Zida servem deliciosa casquinha de marisco adaptada de receita basca

Ranieri e suas casquinhas

Mineiro da cidade de Coronel Fabriciano, mas criado em Cabo Frio, Ranieri Carlos Almeida, 38 anos, visitou pela primeira vez a praia buziana de José Gonçalves aos 13 anos de idade, após matar aula na escola para acampar com amigos.

Aos 17 anos, decidiu vender fatias de melão na praia do Forte quando conheceu um argentino que o levou para Córdoba para ajudar na criação de coelhos. De volta um ano depois, descarregou barco de pesca, em Angra dos Reis, vendeu cafezinho aos funcionários da Petrobrás, em Macaé, ajudou a avó Iracema num restaurante em Cabo Frio até que descobriu mais uma vez a praia de Zé Gonçalves (1984), onde montou barraca para atender pescadores e visitantes.

Mas Ranieri não parou por ali porque virou uma espécie de guia de um espanhol exportador de artesanato, viajando com ele por cidades brasileiras escolhendo boas peças de arte para serem vendidas em Madri (Espanha), incluindo as suas, já que virou também um artesão em madeira. Numa dessas idas-e-vindas a Madri conheceu uma espanhola, se casou, teve uma filha (hoje com oito anos) e se separou.

Duas esculturas de Ranieri

E voltou de vez para a sua Zé Gonçalves, se casou com a nativa buziana Zida nascida ali mesmo no bairro e que aperfeiçoou uma receita basca de preparo do marisco (mejillón) aprendida por Ranieri no restaurante "Punto & Coma" da cidade de San Sebastian, onde trabalhou na sua decoração.

A casquinha de marisco de Ranieri & Zida leva tomate, cebola, farinha de mandioca, alfavaca e aroeira (pimenta-rosa) e seu preparo inclui um segredo que o casal não revela, mas que faz do tira-gosto algo ines-que-cí-vel !

Experimente e volte sempre !