Gourmet

Sônia Persiani

A advogada Sônia aprendeu a cozinhar com a avó e com o chef francês Cristophe Lidy

Nascida em Buenos Aires, filha de atriz, Sônia Persiani, 35 anos, criou-se na capital portenha onde se formou em advocacia. Na verdade queria ser diplomata, só não cursou a chancelaria por não falar fluentemente três idiomas. Como gostava do Direito, fez doutorado e se dedicou à carreira docente como professora concursada. Mas aí conheceu o Brasil, primeiro as praias do sul, depois Búzios, onde já morava o namorado Hector Sirera, colega dos bancos universitários, que já era hoteleiro há 13 anos em Búzios (Aubergue de la Langouste).

Por isso só passava as férias em Búzios, voltando para o Direito, em Buenos Aires. Essa ponte aérea foi cansando:- ou vinha morar em Búzios, ou ele voltava para a Argentina. E foi assim que nos casamos em 1990 - conta.

Sônia chegou, viu e teve dificuldade de se adaptar por não falar português. Ela trocara a carreira de advogada pela de banhista, a cidade grande por um aldeia, a família grande por poucos amigos. Ser hoteleira como o marido não era a sua e decidiu, então, visitar as pessoas, fazer amigos, e, antes, como compromisso pessoal comprou uma gramática e estudava duas horas diariamente. - Assim aprendi a língua e me animei - recorda.

Deguste a comida e curta a vista...

Foi então que conheceu o chef francês Cristophe Lidy, que já tinha feito cozinha com bastante sucesso no restaurante La Poste Restante, de Armando Ehrenfreund, e estava na patisserie Figaro, na Praça Santos Dumont, onde ao lado abriu em sociedade o restaurante Cigalon.

Cigalon é o nome de um mau humorado chef francês de cozinha, personagem do livro "Le chateau de ma mère", escrito em 1929 por Marcel Pagnol, membro da Academia Francesa de Letras, que em 1932 virou filme. Trata-se da história do chef que trabalhou por 15 anos nas principais cozinhas parisienses, aposentou-se e decidiu cozinhar só para ele e a irmã. Ciumento das suas panelas e ingredientes, seguia passo-a-passo e rigorosamente as receitas.

- Lembra muito o Cristophe, daí a escolha do nome para o nosso restaurante que foi um sucesso, apesar da localização na praça que nada tinha de sofisticada. Era um bistrô, mas sem comida de bistrô. Um dia apareceu aqui o Garcia (do carioca Garcia & Rodrigues), descobriu nosso Cigalon , fez proposta irrecusável e o levou. Mas, ele deixou discípulos que aprenderam bem sua lição - se consola.

Foto by Sergio Fleury

E foi com essa equipe treinada por Lidy, integrada por cinco cearenses - Chico, Nilsson, Marco, Vilson e Cícero - que Sônia continuou com o Cigalon, primeiro no Auberge de La Langouste, e agora, à Rua das Pedras (número 265 - fone 24- 623-2261) na casa que era atelier da artista plástica Abigail Vasthi Schelmm que entrou de sociedade com Sônia, decorando o ambiente com belos quadros fauvistas.

Como a maioria dos donos de restaurantes, Sônia Persiani curte a cozinha desde os quatro anos de idade, quando a avó Eleonora, que fazia inesquecível ravióli, a ensinou a sentir o aroma dos ingredientes e, só depois, cozinhá-los. A mãe, também cozinheira de mão cheia fazia deliciosas receitas de aves. Sônia prefere preparar peixes e doces.

Do tempo de Cristophe continuam no cardápio o "Tian d'agneau au thym"(alecrim), o Magret de canard laquê aux mirtilles" (aipim), o Fondant de langosutines (pitus).

Por enquanto basta esses: confira e bom apetite!