Gourmet

Au Cheval Blanc já foi galpão de peixe, restaurante Baluarte e virou point de boa culinária

"Camarote" na Rua das Pedras

Filho de pescador, ele nasceu num caminho à beira-mar e passou a infância salgando peixe no galpão do avô na mesma rua, época em que não havia nem luz elétrica na cidade. O primeiro emprego foi no restaurante Baluarte que substituiu o galpão do avô e nos anos 70 virou o sofisticado restaurante Au Cheval Blanc, onde de empregado virou sócio e, depois, dono. Nesse percurso de vida de mais de 30 anos, o caminho à beira-mar onde nasceu, passou a infância e cresceu, virou a Rua das Pedras.

Lelson Silva de Souza, 42 anos, filho do pescador Antônio Drumond que aos 65 anos ainda preocupa a mulher Marinete ao voltar tarde das pescarias, teve uma infância dedicada às coisas de mar, como todos na aldeia buziana. Seu avô Eduardo o ensinou a salgar os Bonitos que os adultos "escalavam" (limpavam) e depois vendiam muitas vezes como peixe Tesoura, uma espécie de Atum.

Escola, freqüentou a DONA CHICA e a Oliveira Botas onde "só tinha professora um mês por ano". Ainda jovem foi ajudar o tio Neo, caseiro da Dona Bebete Raja Gabaglia, que gostou do rapaz e investiu nos seus estudos no Colégio Miguel Couto, em Cabo Frio. Nessa época estudava e ajudava Otavinho, filho de Dona Bebete, ainda estudante de Arquitetura, mas já às voltas com projetos & construções.

Bueno, Lelson, Paul, Ricardo, Louzário, "Quiquia", "Baixinho"

Pescou muito de mergulho com o primo Soca, o argentino Ramon Avellaneda e o francês Denis Albanèse que nos anos 60 fotografou a visita da BRIGITTE BARDOT à aldeia. Dessa época, com apenas seis anos de idade, só se lembra da história da "tal mulher que tomava banho nua na praia".

Seu primeiro emprego foi no bar do restaurante Baluarte que, por coincidência, funcionava no local do antigo galpão de salga de peixe do avô, vendido ao médico Jorge Mol (hoje do grupo Barra D'Or). O Baluarte era de Sergio Souza e Rosali Rondelli (irmã de Rose, a "certinha do Lalau"), donos, na época, do badalado restaurante Concorde/ Special Bar (Praça Gal. Osório, Ipanema).

Em pouco tempo virou um gerente que assumia a administração quando os donos viajavam para o Rio. Assim ficou até o restaurante ser comprado pelo suíço Paul Blancpain (hoje dono da charmosa pousada Fazendinha Blancpain) que, em fevereiro de 1980, mudou logo o nome para Au Cheval Blanc, transformando-o num point dos mais badalados da ainda não tão badalada Rua das Pedras e numa das melhores cozinhas da região.

Foi nos tempos do Au Cheval Blanc que Lelson aprendeu tudo de cozinha, menos a culinária japonesa. E de empregado passou a sócio de Paul Blancpain de quem mais tarde compraria a sociedade. Com a badalação da Rua das Pedras dos anos 90, o restaurante passou por reforma, voltou-se também para a rua e o prédio ganhou até a loja de roupas femininas Cabocla.
Geílson, Lelson e Ninildo
Mestre-cuca Bueno

 

Com a orientação de Marina, dona do restaurante japonês Madame Butterfly, no Rio de Janeiro, o Au Cheval Blanc passou a oferecer também sashimis & sushis saídos da habilidade culinária dos "japoneses-campistas" Ninildo & Geílson, servidos pelos garçons Emilson (o popular Bem-te-vi) e Geocínio. Dos tempos ainda do restaurante Baluarte, continua o cozinheiro Bueno (Claudecir) e ajudando Lelson na administração, seus irmãos Binho e João.

salão para o mar

Atualmente, o Au Cheval Blanc mantém a tradição de point da Rua das Pedras, onde, na parte voltada para o mar se tem a tranqüilidade buziana e, nas mesas da calçada, se curte o footing da rua-do-vai-e-vem-onde-ninguém-come-ninguém, enquanto se degusta deliciosa comida japonesa, lagostas variadas (de maio a agosto), Lula à Provençal, peixes e carnes variadas, carpaccio e, de sobremesa, o fumegante soufflé de chocolate que deve ser pedido com antecedência.

O Au Cheval Blanc (fone 2623-1445) abre às 12h30m para almoço e, na temporada, não tem hora para fechar.

Apareça, coma bem, jogue-conversa-fora e divirta-se!