Personagem

Charuto foi jogador de futebol, maçariqueiro e virou jornaleiro em Manguinhos

Charuto & banca

Carioca de Jacarezinho, foi criado pela mãe, em Cabo Frio, para onde veio ainda muito criança. É dessa época o apelido de Charuto que o acompanha até hoje, escondendo o nome verdadeiro de Luis Antônio Nunes da Silva. O apelido foi dado pela garotada que o flagrou "fumando" um charuto achado na rua.

Ajudando a mãe que trabalhava como caseira na avenida da Assunção número 805, em frente à sede da prefeitura cabo-friense, freqüentou o Colégio Estadual Miguel Couto até 5ª série, mas trocou os estudos pela chance de ser o meio de campo do time de futebol Tamoios.

Futebol foi sempre uma paixão, a começar pelo seu Fluminense de coração. Mas a carreira de jogador foi interrompida aos 18 anos quando teve que servir ao Exército e foi jogar, apenas nas horas de folga, no time do 8º Grupamento de Artilharia de Costa , o conhecido oitavo GMAC, no Leblon, Rio de Janeiro.

Cumprido o dever cívico, foi para a cidade fluminense de Volta Redonda onde, aos 20 anos de idade (1971) começou a trabalhar na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), primeiro como servente e logo em seguida como oficial de maçariqueiro, profissão que lhe dava regalia de jogar no time de futebol da usina.

E foi como maçariqueiro que percorreu empresas como a Cosipa (Santos, SP), Usiminas, Siderúrgica de Tubarão (SC) e o Pólo Petroquímico de Camaçari (BA). A saudade bateu, ele voltou para a sua Cabo Frio e deixou para trás a profissão de maçariqueiro.

E de maçariqueiro Charuto virou jornaleiro aos 25 anos ao trazer de ônibus, de Cabo Frio, jornais para vender, numa guerra declarada de marketing com a família Tardelli, ou melhor com Jaquinho e Guará, já estabelecidos em Manguinhos.

- Chegava bem cedinho e quase apanhei quando coloquei meu primeiro caixotinho de jornais no posto do Ceceu, em Manguinhos. No início trazia apenas cinco JBs, cinco O DIA, três Globos e três jornais dos Sports, mas nos finais de semana trazia mais e percorria também as praias. Vendia muito e fui me aprumando - conta.

Sua primeira banca de alumínio, em consignação, foi na calçada contrária ao posto de gasolina Shell, depois transferida para uma pracinha a 50 metros que no início era capinada pelo próprio Charuto e que, depois, foi urbanizada.

Charuto no "escritório"

No início de 2000 inaugurou sua própria banca em madeira, estilo buziano, que "está toda paga". Ali tem a ajuda imprescindível da mulher Alice (era vendedora de uma sapataria), da filha Tatiana (17 anos), que planeja estudar informática para controlar o estoque de mercadorias (jornais, revistas, livros, fascículos, edições especiais, guias, CDs) e, ainda, do filho Tarciano (11 anos).

- No tempo do caixotinho, quando vendia somente 16 jornais por dia calculava tudo na cabeça, mas agora só de jornais nos fins de semana são 1 mil 200 e se não anotar tudinho perco dinheiro - comenta Charuto com seu jeitão despreocupado sob o olhar da mulher Alice que parece dizer "como já aconteceu várias vezes, né?".