Natureza

Borboletas buzianas Ascanius e Lysithous são raras e estão em vias de extinção

Foto arquivo BzN

Luiz Otero com uma Parides

Foto arquivo BzN

 

Em Búzios existem duas borboletas raras que estão em fase de extinção e que, por isso, infelizmente, estão mencionadas no livro vermelho Threatened Swallowtail Butterflies of the World (IUCN Red Data Book) da "International Union for Conservation of Nature and Natural Resourses".

Foto arquivo BzN

São elas a Parides ascanius e a Mimoides Lysithous harrisianus.
Quem constatou foi o naturalista Luiz Soledade Otero, do Museu Nacional da UFRJ (Quinta da Boa Vista) que visitando a cidade a convite da conservacionista Tereza Kolontai, avistou as duas espécies na área próxima ao Pórtico de entrada da cidade

Para o naturalista, "a presença das duas espécies é prova de que Búzios possui um raro santuário ecológico que precisa ser preservado, por se tratar de área com a vegetação de restinga paludosa ainda virgem, íntegra e original".

A borboleta da ordem das Lepidópteras, que em grego significa "asas com escamas", é um dos mais numerosos grupos de animais do planeta, com cerca de 500 mil espécies, das quais mais de 150 mil já descritas.

Símbolo de integração do meio ambiente e de equilíbrio entre os mundos animal e vegetal, a borboleta (voa de dia) e a mariposa (voa à noite) representam o resultado de fatores bioecológicos que levaram milhões de anos para se estabelecer.

A Ascanius (descrita em 1775 por CRAMER) é uma borboleta preta, com uma faixa branca nas asas e outra na cor rosa, mais embaixo. Ela voa lenta por cima das plantas e pode ser facilmente observada. Esse vôo lento tem uma explicação: ela é impalatável pelos pássaros por ser venenosa. O pássaro que a desconhece a vomita depois de bicada.

Esse veneno vem da planta Aristolochia macroura, uma trepadeira cuja folha é o alimento da sua lagarta que ao comê-la torna-se, também, venenosa, assim como ao virar crisálida e, depois, borboleta. Daí seu vôo ser tranqüilo, já que são os pássaros os maiores inimigos dos insetos.

Ela não tem sub-espécie, é única no mundo. Vive no máximo um mês (as borboletas vivem de 15 dias a nove meses). A fêmea bota 100 ovos que em uma semana viram lagartas, que depois de dois meses viram crisálidas, que depois de 21 dias viram borboletas. Em tempo: mariposa é que tem casulo envolvido por seda!

Ainda como lagartas, comem (mastigam) plantas e como borboletas sugam néctar das flores através de uma espécie de tromba-língua que enrola e desenrola.

A Lysithous (descrita em 1822 por SWAINSON), também rara e em vias de extinção, é igual na aparência, mas por não ser venenosa como a Ascanius (sua lagarta não come a folha venenosa da "macroura", mas a do arbusto "Annonaceae", sem veneno) vale-se do mimetismo para não ser comida pelos pássaros precavidos que as confundem.

Em Búzios são também avistadas em grande número a belíssima Capitão do Mato (Morpho achilles) - preta com lista larga em azul - e a Coruja (Caligo brasiliensis) - com a figura de um olho nas asas.

Uma longa e detalhada Biologia e Ecologia da Parides ascanius escrita em conjunto pelo naturalista Luiz Soledade Otero (Museu Nacional, UFRJ) e Keith S. Brown Jr. (Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas/SP) pode ser consultada na revista norte-americana ATALA, volumes 10-12, 1982/1984 (86). Trata-se de publicação que divulga a lepidópterologia no mundo e leva o nome de uma borboleta em vias de extinção na Flórida (EUA).

Defensor entusiasmado da instalação de borboletários em todo o país, (o naturalista cuida do viveiro de criação que serve ao Museu Nacional da UFRJ), cita os cinco motivos principais para isso: turístico, lúdico, pedagógico, conservacionista e científico.

A propósito: quando vamos ter um borboletário em Búzios para criar e povoar de Ascanius e Lysithous o maravilhoso ecossistema buziano?

Foto arquivo BzN

As raras Lysithous (esquerda) e Ascanius (direita)